MINUTO LEITURA: O Senhor das Moscas
Durante uma evacuação em momento de guerra, um grupo de garotos entre os cinco e 14 anos sofre um acidente de avião e acabam isolados em uma ilha deserta. Sem contar com quase nenhum tipo de material, os jovens precisam sobreviver contando apenas com suas habilidades enquanto tomam decisões a respeito de como se organizar nessa “nova vida”. Essa é a história de “O senhor das moscas”, escrito pelo inglês William Golding em 1954 e foi, também, um dos principais motivos de o autor ter sido agraciado pelo prêmio Nobel de Literatura em 1983.
Com uma escrita direta, esse primeiro romance de William Golding nos apresenta a um cenário de extremos, ficando de um lado a beleza de uma ilha paradisíaca intocada pelo ser humano e, do outro, o terror de ter um grupo de garotos perdendo gradativamente a inocência na medida em que os acontecimentos forçam tomadas de decisões e discordâncias sobre como devem agir ou quais suas prioridades no momento. O autor brinca com um tema aventuresco para mostrar como os conflitos surgem das diferenças e podem acabam causando consequências desastrosas pela falta de reflexão.
É como se, mesmo no paraíso, a falta de uma ordem social maior e atuante fosse levando a vaidade e o egoísmo dos homens a gradativamente abandonar as antigas noções de civilidade, dando lugar à selvageria. Apesar do enredo forte, com ponderações sobre a vida em comunidade, a narrativa deixa para o leitor a missão de pensar sobre os motivos que nos tornam civilizados e o que aconteceria caso essas amarras sociais fossem rompidas. Essa é uma leitura curta, porém, de uma profundidade e delicadeza impressionantes, que merece ser feita mais de uma vez.
21 May 2021
MINUTO LEITURA: O Conto Da Aia
MINUTO LEITURA: O Conto Da Aia by Minuto Leitura
9 May 2021
MINUTO LEITURA O Aparicionista
MINUTO LEITURA: O Aparicionista
“Um tolo e seu dinheiro sempre se separam”. Essa é uma frase conhecida, embora não seja possível descobrir seu real autor. E a citação tem muito a ver com a história “O Aparicionista”, escrita pelo célebre dramaturgo alemão, Friedrich Schiller, em 1787. O romance apresenta uma história no estilo da literatura gótica, recém iniciado na época, e nos faz mergulhar nas reviravoltas vivenciadas por um príncipe alemão na cidade de Veneza, na Itália. Suas desventuras são marcadas por acontecimentos estranhos, figuras misteriosas e intrigas políticas envolvendo sociedades secretas.
A narrativa é feita primeiro na forma do diário de memórias de um conde, amigo do príncipe e que o acompanha no começo dos acontecimentos. Depois, a história toma forma de um romance epistolar, por meio de cartas escritas por um barão que faz parte da comitiva do príncipe e fica encarregado de relatar os ocorridos ao conde - que precisou retornar à Alemanha. Nesse contexto ficamos sabendo que mesmo sendo uma pessoa prudente e reservada, o príncipe acaba ficando sem dinheiro por ser alvo de golpistas e falsos amigos que o arrastam aos prazeres carnais desmedidos noite após noite.
Por todo o romance, Friedrich Schiller conta a respeito de conspirações, mistérios e ocultismo misturados a reflexões sobre o elitismo da sociedade na época. Com sua forma de escrita retórica e, por vezes rebuscada, é possível fechar os olhos e imaginar cada cena descrita pelo alemão como um momento vívido. Porém, é preciso esclarecer que apesar de uma obra muito bem elaborada, o livro ficou inacabado por conta da morte precoce do autor, que planejava ainda outras duas partes para sua história. Apesar de não revelar os desdobramentos das desgraças na vida do príncipe, a segunda parte da história encerra o livro de forma satisfatória e sem prejuízos à boa leitura.
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