Ana Jara e Tiago Mota Saraiva partem da arquitectura para falar sobre os temas que nos são comuns. Tantas vezes sobre a actualidade, algumas vezes sobre antiguidades.
Estas conversas vão sendo enriquecidas por convidados. Um pretexto para estar entre amigos e ouvir pessoas com que se deseja conversar.
Este episódio é especial. Foi sem querer mas calhou. Certeiro, um ano depois da gravação do número zero. Falamos de reabilitação e vistas, de uma bomba atómica e de um terminal, e de aberturas para uma outra cidade. É uma deambulação livre, com tempo e ao âmago das nossas inquietações, da vida e do futuro na cidade de Lisboa.
15 Feb 2021
#11 Godofredo Pereira | Vamos falar do que nos é comum?
Começamos por falar sobre como se posiciona uma escola de arquitectura perante a sociedade e os desafios políticos, urbanos e ambientais. O convidado é Godofredo Pereira. Arquitecto, investigador e professor. Está à frente dos cursos de Environmental Architecture e City Design da Royal College of Arts, em Londres, e defende uma lógica de Investigação - Acção. Descreve os problemas da cidade como problemas ambientais, e os problemas do extrativismo e das lutas em torno à terra e ao território como semelhantes aos problemas urbanos. Conversámos sobre o trabalho que foram desenvolvendo com o Barcelona en Comú, e na América, nas lutas pela terra das comunidades indígenas.
5 Feb 2021
#10 Bruno Carvalho | Temos meio milhão de fascistas entre nós?
No rescaldo das eleições presidenciais de 2021, procuramos territorializar as questões relacionadas com a emergência eleitoral de uma força marcadamente fascista e pensar como se trava e combate. O convidado deste episódio é o Bruno Carvalho. Jornalista no jornal da Voz do Operário e do Contacto (que obteve o prémio de melhor jornal europeu na categoria "jornal local", atribuído pelo European Newspaper Award), comentador frequente dos canais de televisão RT e Telesur. Nesta conversa vamos em busca de destrinçar os campos fascismo, neoliberalismo, socialismo e comunismo, em terreno onde se eleva a poeira.
20 Jan 2021
#9 Helena Roseta | Os bairros públicos podem ter vista de rio?
Há uns meses a Presidente da Câmara Municipal de Almada Inês de Medeiros declarou como privilegiadas as populações de um bairro dito “social” de Almada por terem vista de rio. Mais recentemente o CEO da Amorim Luxury, Miguel Guedes de Sousa, declarou em entrevista a um suplemento do Expresso: “Não podemos ter pessoas de classe média ou média baixa a morar em prédios classificados”.
Com a Helena Roseta discorremos sobre várias histórias, território e bairros. Falámos das Torres do Alto da Eira em que os vizinhos não quiseram perder a vista de rio, passámos pelos moradores do Bairro 2 de Maio e a legitimidade revolucionária, homenageámos Gonçalo Ribeiro Telles e Freitas do Amaral e terminámos a discutir as formas de exclusão de uma parte da população ao dividi-la entre activos e inactivos.
14 Jan 2021
#8 Bruno Maia | Qual é a arquitectura da Saúde?
No país até há pouco invadido pela ideia de reduzir o Serviço Nacional de Saúde, poderá a pandemia alertar para o que se está a desconsolidar no Serviço para dar lugar à ideia de Sistema? E no momento em que se sustem a respiração ao SNS, que argumentos se abrem para reverter as políticas que o fragilizaram? Convidámos Bruno Maia, médico neurologista e intensivista, defensor do SNS, activista pela legalização da cannabis e da morte assistida, nas últimas legislativas, quase a ser eleito deputado do BE pelo Porto. Falámos de pandemias, e de como num futuro próximo em que a população se prevê urbana, concentrada e em contacto com o mundo, poderão ser rastilho recorrente, e de como a Saúde talvez venha a marcar uma ruptura nas formas de fazer cidade e arquitectura.
Aliás, isso talvez até já esteja a acontecer.
2 Sept 2020
#7 Paulo Raimundo | Há Festa além do COVID-19?
Este episódio é sobre a Festa do Avante. Uma conversa sobre a cidade que, desde 1976, os comunistas erguem para festejar três dias de liberdade, cultura e política e que este ano está a ser fortemente marcada pelo momento extraordinário que atravessamos e por um clima mediático de fortíssima hostilidade.
O Paulo Raimundo é membro do Secretariado do Comité Central do PCP e começa por nos falar das dúvidas e incertezas que existiram na construção da decisão e nos caminhos que se abrem com a sua realização. Depois a conversa segue para os territórios em que vivemos todos os dias. Das praias às escolas. Do escrutínio dos últimos dias, do partido das paredes de vidro à dificuldade em comunicar coisas simples. Do espaço público que a extrema direita tem vindo a conquistar, da resposta anti-racista e da necessidade de não se esvaziar as ruas.
11 Aug 2020
#6 Nuno Ramos de Almeida | Populismo, sexo e luta de classes?
O nome do Nuno Ramos de Almeida aparecia em todas as listas de pessoas a convidar para este podcast. O tema ia variando. Para resolver o problema, foi o próprio a sugerir. Falou-se menos de luta de classes mas esteve sempre presente nos nossos corações.
Actualmente, o Nuno vive no Luxemburgo, onde é editor-chefe do site do jornal Contacto e do semanário Contacto. Foi jornalista da TVI e da SIC e trabalhou, entre outros órgãos de comunicação social, no jornal i, 24 horas ou Focus. Foi director-adjunto do saudoso semanário Já.
4 Aug 2020
#5 Beatriz Gomes Dias | Portugal não é racista?
Em dias que nos convocam a desmontagem desta interrogação, correu a nossa conversa com a Beatriz Gomes Dias, bióloga, membro da Djass - Associação de Afrodescendentes e deputada do Bloco de Esquerda. O programa foi gravado no dia das cerimónias fúnebres do actor Bruno Candé Marques, com o lastro de luta anti-racista. Falámos do racismo e das suas estruturas, da importância de actuar através da Educação, da ideia de estrangeiro que persegue portugueses negros. Escavámos a cidade colonial, com séculos de movimentações e revoltas da população negra, e de como ressoa no plano da Grande Lisboa.
28 Jul 2020
#4 Rosa Félix | A bicicleta é o Cavalo de Tróia das cidades do futuro?
O ciclismo urbano é um dos temas da cidade pós-quarentena que está a incendiar discussões nas redes sociais. Rosa Félix é investigadora em mobilidade urbana no Instituto Superior Técnico e defende o redesenhar das nossas cidades a partir do aumento da preponderância do peão no espaço público e de uma maior utilização da bicicleta. Pelo meio da conversa, revela-nos qual o principal problema que as pessoas identificam, em Portugal, para não andarem de bicicleta. Não é medo, nem falta de dinheiro para comprar uma bicicleta.
21 Jul 2020
#3 José Neves | Os gulag nunca existiram?
Respondemos à questão que serve de mote ao programa logo nos primeiros minutos: existiram e nunca mais se deverão repetir em futuras experiências socialistas. À conversa com o historiador, professor universitário e comunista não-militante em qualquer partido José Neves percorremos os caminhos da URSS, falamos dos primórdios das bicicletas - do “cavalo do diabo” aos “gafanhotos” em tempo de clandestinidade. Lá pelo meio elogia-se duas vezes o ministro Pedro Nuno Santos.
3 Jul 2020
#2 Filipa Roseta | Esquerda e Direita têm diferentes formas de produzir cidade?
Filipa Roseta - arquitecta, professora universitária, feminista e deputada do PSD - entende que a forma como se defende a propriedade é a marca distintiva entre a sua concepção de cidade e a de quem está à sua esquerda. A conversa flui sobre o despejo da Seara, a cidade tardo-liberal ou a Lisboa de Manuel Salgado e as eleições na Ordem dos Arquitectos - ainda antes de se conhecer quem viria a ser eleito.
22 Jun 2020
#1 Vítor Belanciano | Quando é que a cidade é notícia?
Será que a cidade é notícia quando é tarde demais? Esta é uma das primeiras perguntas e que serve de ponto de partida para a conversa.
O primeiro convidado é o cientista social, actor, DJ, jornalista, crítico de música, cronista, professor, contador de histórias, que é como Vítor Belanciano se apresenta nas páginas do jornal Público.
Esta conversa foi gravada na primeira semana de Março ainda sem sabermos do longo período de confinamento a que seríamos sujeitos uns dias depois.
10 Jun 2020
#0 | Existe uma cidade pós-quarentena?
Depois de se começar a gravar os primeiros programas em Fevereiro, teve de se voltar a estúdio para gravar este nº 0 - um episódio especial com 80 minutos e totalmente dedicado à situação pós-quarentena. Ana Jara e Tiago Mota Saraiva conversam sobre a democraticidade do vírus, sobre a forma que as cidades estão a tomar e identificam as razões porque, mais do que nunca, importa envolver as pessoas nos processos de decisão. Há poucas certezas sobre como será o futuro mas muita vontade de o disputar.
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