28 Aug 2026
Branquitude Nacional em Pacto no Congresso — Entrevista com Vic Martins
Nas primeiras páginas de O Pacto da Branquitude, a psicóloga e pesquisadora Cida Bento faz questão de nos avisar: esses pactos não nascem em esconderijos, não têm ritual, não precisam de capuz nem de senha sussurrada na calada da noite. Nascem de algo bem menos cinematográfico: o silêncio. Um silêncio repetido, geração após geração, por pessoas que nunca precisaram dizer nada em voz alta para estar na melhor condição.
É quase um alívio esse aviso. Afasta os caçadores de conspiração, aqueles que preferem um vilão de capa a um sistema complexo. Mas os números ainda incomodam.
Pretos, pardos e indígenas somam mais de 56% do Brasil. E no Congresso eleito em 2022, essa maioria vira minoria: quase 3 em cada 4 parlamentares não são brancos. Entre os 513 deputados federais, só 5 se autodeclaram indígenas — o maior número da história do país. Ainda assim, quase nada.
Esses números perseguem, ficam ali atrás da nuca. É um incômodo, porque... e se o Pacto da Branquitude não precisasse de sexta-feira 13, nem de túnica, nem de lua cheia? E se ele acontecesse todo dia, de sol a sol? Por pessoas que têm motorista esperando num sedã com placa oficial, numa escala de trabalho 3x4. E se o verdadeiro pacto é, na verdade, feito à luz do dia, no meio do Congresso Nacional?
Fomos atrás dessas respostas e passamos uma tarde inteira conversando com Vic Martins (@victormat1ns (https://www.instagram.com/victormat1ns/)), doutoranda em Direito pela UnB, pesquisadora de branquitude, criminologia e relações raciais, e autora do livro CPI do MST: Criminalização dos Movimentos Sociais na Democracia.
Pesquisa, texto e imagem de capa: Kito Kiese (@kitokiese (https://www.instagram.com/kitokiese/))
Produção de áudio e mixagem: Said (@io_said (https://www.instagram.com/io_said/#))
Sobre a convidada: Vic Martins é doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília e graduada em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. É pesquisadora vinculada ao Grupo de Estudos de Cultura Jurídica e Atlântico Negro – Maré.
Livro CPI do MST: Criminalização dos Movimentos Sociais na Democracia, publicado pela Editora Dialética em 2026 (@cpidomst_livro (https://www.instagram.com/cpidomst_livro/))
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Dados Usados
IBGE, Censo 2022 — 55,5% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, mais 0,8% indígenas (https://www.poder360.com.br/brasil/555-dos-brasileiros-se-autodeclaram-pretos-ou-pardos-brancos-sao-435/)
TSE, via Exame — 72% dos deputados federais eleitos em 2022 são brancos (https://exame.com/brasil/72-dos-deputados-federais-eleitos-em-2022-sao-brancos-26-sao-negros/)
Portal da Câmara dos Deputados — Cinco indígenas são eleitos para a Câmara dos Deputados em 2022, maior número da história (https://www.camara.leg.br/noticias/911616-cinco-indigenas-sao-eleitos-para-a-camara-dos-deputados/)