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- Weekly
- Cadence
- 2026
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About No escuro
Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.
- Publisher
- PÚBLICO
- Category
- society & culture · tv & film
- Language
- pt
- Explicit
- Yes
- First episode
- 21 Jan 2026
- Latest episode
- 30 Oct 2026
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30 Oct 2026
"O Meu País Imaginário": na revolta dos chilenos de 2019 ecoa o protesto dos portugueses em 2026
A revolta dos jovens chilenos em 2019 chega às salas portuguesas no momento em que os jovens (e não só) saem às ruas em Lisboa e no Porto, lutando pelo direito à habitação. As imagens das televisões que nos mostram as cidades em Portugal, mas também em Espanha, em França e noutros países a encherem-se de indignação pelas desigualdades sociais e pela quebra das esperanças ecoam em O Meu País Imaginário (https://www.publico.pt/2026/10/27/culturaipsilon/critica/pais-imaginario-ultimo-filme-documentarista-patricio-guzman-2192663), documentário de 2022 do chileno Patricio Guzmán (https://www.publico.pt/2026/09/15/culturaipsilon/noticia/morreu-patricio-guzman-voz-memoria-chile-2188178), que morreu em Setembro deste ano. Quando os chilenos gritaram a sua revolta, num protesto que começou com a subida dos preços dos transportes públicos, Guzmán sentiu que o espírito do início dos anos 1970 estava de volta ao seu país e correu a pegar na câmara e a registar o que se estava a passar, quem eram aqueles jovens, aquelas mulheres, aqueles indígenas que vinham dizer que tinham tanto direito a uma vida digna como os que tinham nascido com mais dinheiro e mais privilégios. Guzmán fora, com A Batalha do Chile (1975-1979), o grande documentarista do período mais exaltante, mas também mais trágico e triste da história recente do Chile: a tentativa de revolucionar a sociedade após a vitória de Salvador Allende nas eleições presidenciais, os três anos (de 1970 a 1973) em que ele ocupou a Presidência e, por fim, a sua derrota e morte — o terrível bombardeamento do Palácio de La Moneda, em Santiago, de onde Allende se recusou a sair — e a chegada ao poder da ditadura de Augusto Pinochet. Curiosamente, nesse filme em três partes ecoam também imagens que conhecemos de documentários feitos durante o "Verão quente" de 1975 em Portugal. Hoje sabemos que a revolta de 2019 no Chile não foi o que tinha prometido ser e que a esperança não se confirmou. Mas isso não tira nenhuma relevância nem actualidade à obra do documentarista, não só a O Meu País Imaginário, como aos três outros títulos que agora regressam às salas (em Lisboa, Porto e Coimbra) a acompanhá-la: Nostalgia da Luz (2010), O Botão de Nácar (2015) e A Cordilheira dos Sonhos (2019), leituras mais poéticas, mas não menos políticas, da história e dos fantasmas do Chile, que neste tríptico se cruzam com a belíssima natureza do país. Neste episódio falamos também de outro filme que acaba de estrear, Nosso Segredo (https://www.publico.pt/2026/10/28/culturaipsilon/critica/casa-fantasmas-segredo-grace-passo-2192693), da cineasta brasileira Grace Passô (https://www.publico.pt/2026/10/26/culturaipsilon/entrevista/grace-passo-democracia-continua-perigo-vivos-2192724). Esta obra sussurrante e delicada na forma como trata o luto de uma família, mas que, ao mesmo tempo, se inscreve nas questões sociais e raciais do Brasil contemporâneo, está na lista dos candidatos brasileiros aos Óscares. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho (https://www.publico.pt/autor/alexandra-prado-coelho) e Vasco Câmara (https://www.publico.pt/autor/vasco-camara), para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso apelo é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener (https://omnystudio.com/listener) for privacy information.

29 Oct 2026
Ouça a estreia de "Quem matou Rosalina?" A mulher ignorada 608
Trinta e seis segundos num elevador, uma mulher a compor o cabelo ao espelho e uma noite de chuva em Saquarema, nos arredores do Rio de Janeiro, Brasil. Rosalina Ribeiro (https://www.publico.pt/2011/10/05/jornal/como-rosalina-morou-no-rio-sem-por-um-pe-na-praia-23126039), secretária pessoal e companheira do milionário Lúcio Tomé Feteira, falecido em 2000, saiu para jantar a 150 metros de casa e nunca mais voltou. Levaram-lhe a pasta com os documentos e deixaram-lhe o relógio e os brincos, porque quem a matou não queria o que ela tinha, queria o que ela sabia. Durante dez dias, enquanto as amigas colavam cartazes a alertar para o seu desaparecimento pelas ruas do bairro de Flamengo, o seu corpo foi apenas uma etiqueta, com o número 608, numa morgue do Rio de Janeiro. Neste primeiro episódio do podcast Quem Matou Rosalina?, ouvimos Rosemary Gomes, a testemunha que ouviu os tiros, a fadista Maria Alcina, amiga de Rosalina, que sonhou com o pedido de socorro, e entrevistamos o jornalista Plínio Fraga, autor da reportagem Dostoiévski em Saquarema, que reconstitui o caso e nos apresenta Duarte Lima (https://www.publico.pt/duarte-lima), o homem que se adiantou à polícia com o envio de um fax que ninguém lhe pediu. O lançamento deste podcast narrativo coincide com o início do julgamento de Duarte Lima, no tribunal de Sintra, a 5 de Novembro. O antigo deputado do PSD foi acusado pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, no Brasil, a 7 de Dezembro de 2009. Quem Matou Rosalina? é uma produção da Coimbra Coolectiva (https://coimbracoolectiva.pt/)em exclusivo para o PÚBLICO, com a colaboração do Globo. A narração é de José Martins (https://www.publico.pt/2025/06/22/culturaipsilon/noticia/jose-martins-vence-premio-melhor-actor-festival-cinema-xangai-2137468) e a banda sonora é dos Belle Chase Hotel. See omnystudio.com/listener (https://omnystudio.com/listener) for privacy information.

23 Oct 2026
Camilo e "Memórias do Cárcere": não andávamos a precisar de um filme português assim?
Um produtor, Paulo Branco, um realizador, Sérgio Graciano, e um director de fotografia, João Ribeiro, inventam, em Memórias do Cárcere, uma tradição que não existe cá, que nunca existiu: a do filme de artesão. É um pequeno apogeu de artesanato à medida de uma unidade de produção dos tempos antigos que se transcende nos décors, na direcção de actores, na fotografia — uma espectadora dizia à saída do filme: “Olha-se para o ecrã e é tudo bom”, forma mais qualitativa do que quantitativa, também menos fria e mais filosófica, de significar “valores de produção”. Corresponde àquilo que é sempre incensado quando se trata por exemplo de cinema americano — o chamado “filme de artesão”, que faz babar, e justamente, muitos —, mas que, num sistema essencialmente autoral, que se afirmou com protótipos, como o português, acaba encarado como despromoção. Por parte de uma certa crítica. Não sendo seguro igualmente que os espectadores portugueses quebrem a sua inquebrantável desconfiança e ignorância em relação ao cinema feito em Portugal, onde, pelos vistos, o que funciona nas bilheteiras é a declinação revisteira. Camilo (Albano Jerónimo) e a sua amada Ana Plácido (Maria João Bastos) caíram em desgraça, estão na prisão, na cadeia da Relação do Porto, acusados do crime de adultério. Isto não é revista. As imagens têm densidade e memória. Vale a pena tentar, asseguramos. Realismo e romanesco, filme de casal e história de fantasmas. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho (https://www.publico.pt/autor/alexandra-prado-coelho) e Vasco Câmara (https://www.publico.pt/autor/vasco-camara), para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso apelo é: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener (https://omnystudio.com/listener) for privacy information.
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