Esse é um podcast criado como consequência do isolamento dessa voz que lê para você. Nele, você encontrará trechos e capítulos das minhas leituras mais recentes. Leituras estas que senti necessidade de compartilhar com o mundo. Portanto, todas as palavras, frases e parágrafos aqui lidos para você são de extrema importância para mim e de extrema urgência para todos. Espero que essas leituras embolem os seus pensamentos e façam com que você se interrogue; ou interrogue o que está posto. Por fim, divirta-se. E lembre-se de que "ler é meio puxar fios, e não decifrar", como bem disse Ana C. Cesar.
Com uma poética que poe em diálogo Brasil e Portugal, se estende à tradição norte-americana e finca raízes em algumas das linhas de força da poesia portuguesa contemporânea, Matilde Campilho "é uma daquelas poucas pessoas capazes de produzir poesia nos outros", como bem disse Victor Heringer, em artigo publicado na Revista Pessoa. Contudo, a poesia de Matilde não só cria poesia no leitor, como também o convida ao abraço. Isto é, pega o leitor pela mão, o olha nos olhos, diz "escute só" e, então, o abraça. Não falo, porém, de um abraço físico. Matilde nos abraça a alma. E é por isso que escolhi um de seus poemas para este terceiro episódio. Portanto, espero que você, que está aqui me ouvindo, sinta a sua alma abraçada. E que essa leitura produza poesia em você.
8 Jun 2020
#02 Valter Hugo Mãe | O MENINO DE ÁGUA
Não há dúvidas de que o português Valter Hugo Mãe é uma das vozes mais marcantes das literaturas de língua portuguesa. Com a sua escrita fina e poética, Mãe nos faz mergulhar em histórias "que nos desconcerta(m) e nos fragiliza(m)", como bem diz Mia Couto, no prefácio de "Contos de cães e maus lobos". Neste segundo episódio, leio um contro presente nessa obra. Um conto que, de fato, nos desconcerta e nos fragiliza. Ou ainda, um conto cuja história nos coloca diante de um dos desconcertos do mundo contemporâneo e não só nos fragiliza, como nos destabiliza. Não há quem saia ileso à escrita de Valter Hugo Mãe.
Esse é o primeiro "episódio" de um podcast criado como consequência da quarentena em que me encontro. Nele, leio um capítulo do livro "Caderno de memórias coloniais", escrito pela portuguesa Isabela Figueiredo. Trata-se de uma obra necessária para o nosso tempo e de leitura mais que urgente para todos, pois ela toca em uma questão que até hoje vive à espera de um acerto de contas digno: o colonialismo português em África. Dito isso, eu espero que a leitura desse capítulo te desperte o interesse pela obra. Um abraço, e até a próxima.
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