A Efemeridade das Asas
signo e significado
hoje pensei em borboletas
na liberdade a que suas asas remetem
no vôo
nas flores que elas alcançam suavemente
pensei no casulo que as transformam
pensei na transmutação espiritual
como um véu bailando ao ar
na breve vida
por mais bela que seja!
pensei em asas delicadas
indicando
que é necessário tato ao lidar com a liberdade dos inválidos
dos insanos
dos que como eu
apreciam quando o que é bom perdura
e ao pensar em algo tão delicado
como permanência
cumplicidade
tolerância
compreende
...a liberdade é tão limitada!
as borboletas tão efêmeras
há os que se enganem
eu prefiro a verdade
e ainda assim apreciar o vôo
aceitar o pouso
ou me rebelar com tudo
que vejo diante de meus olhos
e não entendo
é necessário cuidado
ao lidar com arquétipos
- me disse um sábio -
borboletas no estômago
são as que mais ferem
também as que mais nos deixam
humanos
eu às sinto
fazendo cócegas
mas as deixo partirem quando querem
mesmo que elas prefiram voltar
eu sei que sou
eu sei que somos
apenas sacos de ossos
e não temos asas, é verdade!
mas podemos rodopiar nossos corpos
de olhos fechados
rosa ataíde
6 Feb 2024
Um Não Lugar, poema Rosangela Ataíde na voz e tradução de Hérnan Brandolin
Un no lugar – tradução Espanhol: Tchian Hérnan, poeta argentino
Puede ser dentro
Puede ser fuera
Puede ser en la línea del horizonte
En el azul que tus ojos contemplan
Al erguir la nariz
Puede ser en mí
Cuando tiro la sal de mis labios con la lengua
Y trago
Puede ser en el outro que dobló la esquina debajo de la lluvia
Un no lugar marea
Un no lugar que no hace ola
Un no lugar, hábitat de vida primitiva
Rayo de sol , luz de estrella, polvo
Mástil clavado en tierra
En el lodo de los mangles
En el cañón donde la piel enflaquece
Un no lugar, música
Oración
Un no lugar en la palma de mano
...un no lugar mano extendida
El rostro atónito
Un no lugar corazones de enamorados
- el corazón es dentro y ya estuvimos en algunos
Vuelvo las manos
El tuyo en la izquierda
El mío en contramano
Un no lugar...Sí, un no lugar, No
Pensé un no lugar
Perdón, intuición, abrazo
Dirección universal
- tu nombre
- tu fecha de nacimiento
Un no lugar, reloj de arena
Tierra que termina
Y que al movimiento opuesto
Retorna la ilusión del tiempo
Pues dentro de ella existe un vacío
- ¿ya percibió?
-
Un no lugar, hasta un día...
No lo sé,
Alguien que termine este poema
Para mí...
5 Feb 2024
Selváticas - Rosa Ataíde - interpretação - Jéssica Voguel
Selváticas
mulheres
são por essência selvagens
e pintam as unhas
pois estas lhes servem de garras.
as garras afiadas das que nutrem
ao seio,
pelo cordão umbilical
com o sangue nutritivo que semeiam pela terra mês a mês...
nossos filhos inatos.
ouçam os tiros...
são milhares os disparos!
eles estão a estilhaçar os corações delas.
silêncio quando morre uma delas,
silêncio nas matas, nas cidades.
até às anciãs se calam
e choram as mulheres nutridoras de Gaia.
chorem por nós...,
os infiéis
os estupradores,
os marginais fardados,
os algozes aliançados .
pois morremos após
nos silenciarem
em suas fogueiras
e com suas facas
perfurarem nossas carnes.
não aos punhos fechados!
não aos queixos trincados!
selvagens,
bicho, mulher,
selváticas!
do colo de nossos úteros
preparamos cama à humanidade.
são nossos os corpos
que de nós foram tomados pela estigma do sexo frágil.
por instinto...
somos medicinais,
cura e nascimento,
eis então que somos fortes!
selváticas!
nos refazemos às adversidades
como a mata que rompe o concreto,
vem dessa essência de bicho
a gana que nos tira o eixo
quando lascamos uma unha.
...mas esperem, elas crescem!
ou as substituímos por postiças adornadas.
rosa ataíde
28 Nov 2021
ASMR quando abro meu chacra cardíaco
ASMR quando abro meu chacra cardíaco - rosangela ataíde
25 Jul 2020
Short Distorcion
talvez você devesse revirar meu lixo
para decifrar eu, pessoa, gente
é verdade que meu lixo denuncia meus podres
tem meus detritos misturados a minha alegria
tem minha ansiedade nas guimbas manchadas de batom
meu desleixo nas pilhas de maços vazios
minha miséria no tubo de pasta espremido
minha angustia nos maços de cabelo que cato pelo piso
minha infância em embalagens de pirulito
minha alergia nos em lenços e embalagens de Vick
minha chaga uterina no papel ensanguentado
alguns rabiscos escritos, uns pincéis de cerdas endurecidas
eu deveria olhar atenta debaixo de sua cama
talvez eu mirasse mais do homem que não decifro
entre as embalagens de Bis e pratos de macarrão vazios
talvez assim eu entenderia quando você silencia
e me deixa muda
sem saber nada além de zelo, carinho, vórtices e vertigens
rosangela a.
29 May 2020
Cotidiano - Rosangela Ataíde
Cotidiano
amor,
dieta de engorda,
cigarros,
analgésicos,
ansiolíticos e vitaminas...
- o tempo se alonga
enquanto eu, dilacero dias.
no vai e vem do sol poente,
nas ondas do mar batendo
entre o concreto e a areia.
nas demarcações das páginas que vibro
ou ainda,
nas sombras opostas
das imagens que crio...
- todo entorno do que vivencio
cabe uma nota,
um delírio,
umas linhas.
assim reciclo a vida,
mesmo que vá me esvaindo
nos insanos afazeres de minha via...
meus vestígios
estão fincados nas palavras,
as que ficam na ponta da língua
estremecendo minha voz
e que teimam...
virar poesia.
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