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by Alberto Ricardo Prass

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O Professor Alberto Ricardo Prass comenta, explica e analisa temas de interesse de cientistas, professores, estudantes e pessoas curiosas.

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🇵🇹

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September 30, 2020

A MEDICINA COMO CIÊNCIA

<p>Mesmo em seus melhores momentos, a prática médica pré-moderna não salvou muita gente. Hipócrates de Cós, o pai da Medicina, é celebrado sobretudo por seus esforços para arrancar a Medicina do terreno da superstição e trazê-la à luz da Ciência.<br> Hipócrates escreveu:<br> "Os homens acham a epilepsia divina, simplesmente porque não a compreendem. Mas se chamassem de divino tudo o que não compreendem, ora, as coisas divinas não teriam fim".<br> Em vez de reconhecer que em muitas áreas somos ignorantes, a tendência do homem comum é atribuir a divindades tudo aquilo que ainda não compreendemos.<br> </p> <p>Como o conhecimento da Medicina tem se desenvolvido desde o século IV a.C., cada vez mais aumenta o que compreendemos e diminui o que tinha de ser atribuído à intervenção divina - a respeito das causas ou do tratamento da doença.</p> <p>As mortes na hora do parto e a mortalidade infantil decresceram, o tempo de vida foi prolongado, e a Medicina melhorou a qualidade de vida para bilhões de seres humanos em todo o planeta.</p> <p>Hipócrates introduziu elementos do método científico no diagnóstico da doença. Ele recomendava com insistência a observação cuidadosa e meticulosa:</p> <p>"Não deixem nada ao acaso. Não percam nenhum detalhe. Combinem as observações contraditórias. Não tenham pressa".</p> <p>Antes da invenção do termômetro, ele fez o gráfico das curvas de temperatura de muitas doenças.</p> <p><br> Recomendava que os médicos fossem capazes de explicar, somente a partir dos sintomas presentes, o provável desenvolvimento passado e futuro de cada doença. Enfatizava a honestidade.<br> Estava disposto a admitir as limitações do conhecimento médico.<br> Não se envergonhava de contar para a posteridade que mais da metade de seus pacientes morrera das doenças que ele estava tratando.<br> Suas opções de ação eram limitadas; os remédios de que dispunha eram principalmente laxantes, eméticos e narcóticos.<br> Realizavam-se cirurgias e cauterização.<br> Outros progressos consideráveis ainda foram feitos em toda a época clássica, até a queda de Roma.</p> <p>Enquanto a Medicina floresceu no mundo islâmico, o que se seguiu na Europa foi na realidade uma era negra. Grande parte do conhecimento de anatomia e cirurgia se perdeu.<br> Era muito difundido o recurso às orações e às curas milagrosas. Os médicos seculares foram extintos.</p> <p>Empregavam-se por toda parte cantilenas, poções, horóscopos e amuletos.</p> <p>As dissecações de cadáveres foram restringidas ou proscritas, por isso aqueles que praticavam a Medicina não podiam adquirir em primeira mão o conhecimento do corpo humano. A pesquisa médica ficou estagnada.</p> <p>Uma situação muito parecida com ocorreu para todo o Império do Oriente, cuja capital era Constantinopla:</p> <p>Num período de dez séculos, nem uma única descoberta foi feita para exaltar a dignidade ou promover a felicidade da humanidade.<br> Nem uma única ideia foi acrescentada aos sistemas especulativos da Antiguidade, e uma série de discípulos pacientes se transformava, por sua vez, nos professores dogmáticos da geração servil seguinte.</p> <p>Mesmo em seus melhores momentos, a prática médica pré-moderna não salvou muita gente.</p> <p><br></p>

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September 7, 2020

CONHECIMENTO CIENTÍFICO x CONHECIMENTO DAS RUAS

aka CONHECIMENTO CIENTÍFICO x SENSO COMUM O que marca a diferença entre o cientista e o não cientista é o processo de obtenção, justificação e transmissão de conhecimento. • Embora essa fronteira não seja clara e existam muitos pontos de vista diferentes entre os filósofos da ciência, existe um consenso amplo a respeito de certas propriedades que são típicas da atividade científica. • O conhecimento científico é crítico. • Ainda que sua origem seja a experiência, esse conhecimento não fica grudado a ela de modo incondicional. • Enquanto o senso comum habitualmente abraça aos dados imediatos, ou, então, procura explicações nem sempre profundas, o conhecimento cientifico procura bases sólidas, justificações claras e exatas. • Isso não é possível em todos os casos. • A tendência do cientista, porém, é se aproximar gradativamente de fundamentos fortes para seus conhecimentos. • O conhecimento cientifico é, portanto, submetido a uma série de testes, análises, controles que garantam pelo menos uma "chance" alta de obter informações verdadeiras e justificadas. • Por exemplo: todos sabemos que a dinamite explode quando é submetida à ação do fogo. • É por isso que ninguém ousa jogar um fósforo aceso num depósito de dinamite. • Mas nem todos se perguntam pelas razões que explicam esse fenômeno. Os que conhecem as explicações do senso comum só sabem que a dinamite contém certas substâncias responsáveis pela explosão. O químico, no entanto, é capaz de nos explicar com detalhe o que acontece dentro de um explosivo quando ele é submetido à ação do fogo. Pode até nos escrever certas fórmulas que mostram o processo completo: a ação do fogo, seu efeito sobre os componentes químicos, as forças que são liberadas, a intensidade da explosão. • O conhecimento científico é organizado. • O cientista tenta construir sistemas de conhecimento, embora seus anseios nem sempre possam ser coroados pelo sucesso. • Enquanto o senso comum é composto por um conjunto de conhecimentos "avulsos", o cientista visa organizar seu conhecimento num conjunto onde os elementos estejam relacionados de maneira ordenada. • O conhecimento cientifico é prognosticador. • Baseado em certos "princípios" ou "leis", o cientista pode predizer até mesmo com certeza de que maneira acontecerão certos fatos futuros. • Também o homem da rua faz predições: podemos predizer que o verão será-quente, que a inflação continuará aumentando, que o sol sairá amanhã etc. • Mas nossas predições são justificadas apenas por analogias do senso comum. • O cientista tem razões para afirmar que certos fatos haverão de ocorrer. • O conhecimento cientifico é geral. • É conhecimento de conjuntos ou classes de fatos e situações, e não apenas de determinados fatos isolados. • O conhecimento de que nosso cabo de aço conduz a eletricidade é individual, mas é justificado pelo conhecimento geral de que todo corpo metálico conduz a eletricidade. • Um ponto muito importante é o caráter metódico do conhecimento cientifico. • Os filósofos da ciência mais tradicionais (os anteriores a 1970, por exemplo) consideravam que uma característica essencial da ciência é o método. • Segundo eles, a obtenção do conhecimento não é produto de uma sequência de acasos ou situações imprevisíveis. • Para obter conhecimento científico devemos orientar nossa atividade e nossa inteligência em consonância com certos padrões de pesquisa, certa noção de ordem. • Realmente, ainda hoje, a maioria dos filósofos aceita que a ciência possui um método, que nem sempre é único. • Antigamente pensava-se que a ciência constava de um conjunto fixo de regras ou "receitas" para obter conhecimento, hoje aceitamos que o método depende de muitas condições, inclusive psicológicas, sociais e históricas, entre outras. • Lungarzo, C. (1997). O que é Ciência. São Paulo: Editora Brasiliense.

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September 3, 2020

OS EXPERIMENTOS COMO PROVA CIENTÍFICA

<p>OS EXPERIMENTOS COMO PROVA CIENTÍFICA</p> <p>"Se me derem uma alavanca, moverei o mundo!",&nbsp;</p> <p>exclamou Arquimedes no século III AEC.&nbsp;</p> <p>Evidentemente, ao pronunciar essa frase, o grande sábio grego não queria definir um programa experimental, o que seria uma tolice, mas fazer com que o mundo helenístico tomasse consciência dos consideráveis progressos realizados pela ciência da época.</p> <p>Algum tempo depois, no formidável armazém intelectual que era a Alexandria, outro homem, o matemático Eratóstenes, seguindo as ideias de Aristóteles e Euclides, tentaria não mover o mundo, mas medi-lo, servindo-se de um instrumento extremamente rudimentar: um simples estilete.</p> <p>Com esse movimento intelectual, abria-se um caminho fundamental para a ciência, o da experimentação.</p> <p>O grande filósofo das ciências Karl Popper percebeu com clareza:&nbsp;</p> <p>“o caráter científico de uma teoria não se deve ao fato de que ela seja verificada ou verificável, mas ao fato de que, antemão, ela se exponha a ser refutada pela experiência.”</p> <p>É aí que se situa a linha de demarcação entre uma teoria científica e uma teoria que não o é.</p> <p>Toda teoria deve expor-se à sua própria refutação e, em última análise, só a experiência pode traçar essa linha, mesmo que aproximativamente.</p> <p>Daí a grande importância do experimento na história da pesquisa científica.</p> <p>Mas isso não resolve o problema central da experiência científica.</p> <p>O que chamamos de “prova científica” nunca pode confirmar totalmente a verdade de uma teoria; a prova apenas confirma que essa teoria é “mais verdadeira que outra”.</p> <p>Assim, não se pode atingir a “verdade objetiva” submetendo as teorias à prova da experimentação.</p> <p>No máximo, é possível confirmar certas predições fundadas sobre uma teoria.</p> <p>Vejamos o exemplo dos astrônomos da Babilônia, que registraram os movimentos da Lua e do Sol desde 747AEC.</p> <p>A ciência deles era certamente uma “ciência exata” e produzia resultados; mas isso não prova a verdade da sua teoria, que fazia dos planetas personagens divinos, cujos movimentos influenciavam diretamente a saúde das pessoas e o destino do Estado.</p> <p>“Em suma, um experimento científico nunca decide um debate epistemológico.”</p> <p>Mas o papel da experiência científica é “capital”, pois ela é fundadora de novos saberes - o eletromagnetismo, a astrofísica, a química orgânica ou a radioastronomia nasceram de experiências e certamente não teriam vindo à luz sem elas.</p> <p>Às vezes, o experimento científico até derruba as concepções mais universalmente aceitas –&nbsp;</p> <p>como quando Evangelista Torricelli demonstrou a existência do vácuo e provou que a natureza não tem nenhum horror a ele, ao contrário do que afirmava a ciência medieval;&nbsp;</p> <p>quando Ernest Rutherford descobriu o núcleo atômico e nos informou, para nosso grande espanto, que a matéria é composta essencialmente de “nada”;&nbsp;</p> <p>ou quando Stanley Eddington constatou que os corpos massivos curvam o espaço-tempo na sua vizinhança, segundo a predição de Albert Einstein.</p> <p><br></p> <p> </p> <p><br></p> <p><br></p> <p>FONTE DO TEXTO</p> <p>Rival, M. (1997.) Os Grandes Experimentos Científicos: Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor</p> <p><br></p>

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