
Histórias dos Violões na Velha São Paulo
Claim This Podcastby Flavia Prando
Podcast Overview
<p>Esta série de episódios traz as histórias da músicas gravadas no álbum Violões da Velha São Paulo, trabalho fruto da pesquisa de doutorado que Flavia Prando defendeu na ECA/USP. A instrumentista, em sua pesquisa, trouxe à tona a história da música para violão na São Paulo do século XIX, período anterior à formação do circuito de partituras para o instrumento, o que significa que muitas das obras do disco foram resgatadas de manuscritos ou arranjadas a partir de versões para piano. <br />Cada música ganha um episódio, são treze capítulos, nesta primeira temporada, que trazem a história do compositor, da obra e do contexto da cidade de São Paulo, no intuito de enriquecer a audição da gravações e divulgar a trajetória dos artistas e da cidade sob um ponto de vista musical. <br />Aborda-se um pouco da história do violão brasileiro e das valsas, mazurcas, gavotas e choros cultivados no país. <br />Flavia Prando</p>
Language
🇵🇹
Publishing Since
2/19/2024
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Recent Episodes

June 11, 2026
Francisco Pistoresi: o luthier que São Paulo esqueceu - Epsódio 3 - temporada 2 - Flavia Prando
<p>Olá, pessoal, muito bem-vindos.</p><p>Neste episódio, em vez de falarmos de uma música ou de um compositor, vamos falar de materialidade sonora. Vamos conhecer a trajetória de um homem que passou quase cinquenta anos em São Paulo construindo violões e que, por muito tempo, foi lembrado apenas por uma invenção curiosa.</p><p>Seu nome: Francisco Pistoresi.</p><p>E a história que você vai ouvir começa com um engano.</p><p>Durante décadas, textos especializados apresentaram Pistoresi como português. A informação circulou em periódicos, passou de boca em boca e acabou se fixando como verdade. Mas sua certidão de óbito revela outra história: Francisco Pistoresi nasceu em Lucca, na Itália, em 1868.</p><p>Esse tipo de equívoco não é casual. Ele revela como parte da história do violão foi construída, muitas vezes baseada em memória oral, sem confronto com documentos. Casos semelhantes ocorreram com outros personagens, como o valenciano Praxedes Gil-Orozco, apresentado durante décadas como cubano.</p><p>Corrigir a origem de Pistoresi não é apenas um detalhe. É recolocá-lo no contexto da São Paulo do final do século XIX, marcada pela chegada de imigrantes europeus que traziam seus ofícios, instrumentos e práticas musicais.</p><p>Foi nesse cenário que Pistoresi fundou, em 1892, sua oficina de instrumentos de cordas. A cidade passava por transformações profundas: a escravidão havia sido abolida poucos anos antes, a República ainda era recente e a imigração reconfigurava bairros inteiros.</p><p>O reconhecimento veio cedo. Em 1902, Pistoresi foi premiado na Exposição Municipal de São Paulo. Dois anos depois, representou a cidade na Exposição Internacional de Saint Louis, nos Estados Unidos, onde seus violões e bandolins receberam o primeiro prêmio.</p><p>Em 1914, ele voltou a aparecer nos jornais por causa de um invento curioso: o diamenofone.</p><p><strong>Dramatização – Correio Paulistano, 27 maio 1916</strong></p><p>"O sr. Francisco Pistoresi (...) apresentou à imprensa um invento denominado diamenofone (...) O sr. Alberto Baltar executou uma valsa de Chopin, um romance de Mendelssohn e várias peças características no violão fabricado pelo sr. Pistoresi, que, além das vantagens produzidas pela nova invenção, muito se recomenda pelo caprichoso acabamento."</p><p>A São Paulo daquele momento, assim como outras grandes cidades ocidentais, crescia rapidamente. Os teatros se multiplicavam, os espaços de apresentação aumentavam e o violão precisava projetar mais som.</p><p>Pistoresi respondia, à sua maneira, a uma questão técnica que mobilizava músicos e construtores em diferentes partes do mundo. </p><p>Os instrumentos de Pistoresi circularam amplamente. Além de Alberto Baltar, foram utilizados por Josefina Robledo, célebre discípula de Francisco Tárrega.</p><p><strong>Dramatização – Correio Paulistano, 31 jul. 1923</strong></p><p>"Merece também uma referência especial o violão usado pela concertista (...) é de fabricação paulista. Foi feito pelo fabricante sr. Francisco Pistoresi, desta capital."</p><p><strong>Dramatização – O Estado de São Paulo, 3 maio 1929</strong></p><p>"Os violões Pistoresi, como se sabe, são os mais antigos de fabricação nacional, sendo a sua qualidade pelo menos igual à dos melhores estrangeiros (...)."</p><p>A frase é publicitária, mas revela algo concreto. Francisco Pistoresi construiu instrumentos premiados que circularam por salões, conservatórios, rádios e ateliês da cidade.</p><p>Inventou soluções para um instrumento que buscava novos espaços. E, ainda assim, foi sendo esquecido.</p><p>Décadas depois, um desses violões chegou às minhas mãos, por meio da musicista e pesquisadora Márcia Taborda. Construído há mais de um século, ele mantém seu selo, sua estrutura e sua sonoridade.</p><p>Foi com esse instrumento que gravei as peças que vocês ouviram neste episódio.</p><p>Muito obrigada e até a próxima história. O podcast, narrado e produzido por Flavia Prando, conta com dramatizações de Artur Mattar, voice-over de Biancamaria Binazzi .Para texto completo, mais histórias, músicas mais informações: flaviaprando.com</p>

December 27, 2025
Bombardino e Serelepe - choros de João Reis dos Santos - Epsódio 2 - temporada 2 - Flavia Prando
<p>Olá, pessoal, sejam muito bem-vindos.</p><p>No episódio de hoje, seguimos acompanhando o violão na São Paulo das décadas de 1920 e 1930 para conhecer dois <strong>choros curtos</strong> de João Reis dos Santos: Bombardino e Serelepe.</p><p>São peças breves em duração, mas densas em significado. Elas revelam um compositor em trânsito — entre o Rio de Janeiro e São Paulo, entre diferentes modos de escrever choro — que encontrou no ambiente paulista um terreno fértil para sua atividade musical.</p><p>Embora João dos Santos tenha nascido no Rio de Janeiro, em 1886, foi em São Paulo que sua obra circulou com força, ganhou público e se misturou à prática local do violão, a ponto de Hermínio Bello de Carvalho citá-lo como músico paulista. Essa “adoção” diz muito: João atuou intensamente no circuito musical da capital, tocando, ensinando, organizando programas e participando de conjuntos que animavam a vida cultural da cidade, além de manter presença constante em Campinas e Santos.</p><p>Na imprensa da época, ele aparece como um músico ativo, requisitado e com repertório próprio — alguém que circulava com desenvoltura entre o rádio, as salas de concerto, o ensino e a publicação de partituras. Também integrava redes coletivas, tocando em formações conjuntas e participando de concursos e audições públicas.</p><p>Essa vida em movimento se reflete na escrita musical. João compôs tanto choros mais longos, em forma rondó, associados à tradição carioca, quanto <strong>choros curtos</strong>, em forma ABA — mais concisos e geralmente mais lentos. Esse segundo modelo é identificado por Manoel Corrêa do Lago como uma marca do choro paulistano.</p><p>É justamente nesse universo que se situam Bombardino e Serelepe.</p><p>Bombardino, publicado no Volume 3 da coleção Violões na Velha São Paulo, é um choro em duas partes, de escrita econômica e precisa. Alternando registros do instrumento, a peça constrói um balanço discreto, com pequenos arpejos e diálogos entre baixo e agudo.</p><p>Serelepe, presente no Volume 1 da coleção, também é um choro curto, mas com outra energia. Leve, ágil e cheio de movimento, explora saltos de posição e contrastes rápidos, como se traduzisse a vivacidade de uma cidade em aceleração. Há ali também uma ponta do humor musical de João, conhecido por surpreender colegas com soluções inesperadas.</p><p>Curiosamente, “Serelepe” era também o apelido de um violonista atuante no mesmo período, figura hoje quase anônima, mas registrada na imprensa. A coincidência revela como esses ambientes se cruzavam e como certos nomes e apelidos circulavam entre os músicos da época.</p><p>No conjunto, Bombardino e Serelepe formam um pequeno díptico sonoro da São Paulo dos anos 1920: dois choros curtos, contrastantes e cheios de personalidade. Eles carregam a marca de um compositor carioca que foi plenamente incorporado à estética paulistana — e que também ajudou a moldá-la.</p><p>Seguimos, assim, reativando um repertório que permaneceu silencioso por décadas, mas que hoje volta a ser ouvido e estudado.</p><p>Ouçam Bombardino e Serelepe. As gravações estão disponíveis no Spotify e nas demais plataformas digitais.</p><p>Eu sou Flavia Prando e agradeço a companhia em mais um episódio. Até a próxima.</p><p></p>

June 23, 2025
Céu do Paraná - Leopoldos Silva - Epsódio 1 - temporada 2 - Flavia Prando
Flavia Prando presents the story of composer Leopoldo Silva and his waltz "Céu do Paraná," exploring his musical relevance in early 20th-century São Paulo despite limited personal records in this interview episode.
16 total episodes available
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<p>Esta série de episódios traz as histórias da músicas gravadas no álbum Violões da Velha São Paulo, trabalho fruto da pesquisa de doutorado que Flavia Prando defendeu na ECA/USP. A instrumentista, em sua pesquisa, trouxe à tona a história da música para violão na São Paulo do século XIX, período anterior à formação do circuito de partituras para o instrumento, o que significa que muitas das obras do disco foram resgatadas de manuscritos ou arranjadas a partir de versões para piano. <br />Cada música ganha um episódio, são treze capítulos, nesta primeira temporada, que trazem a história do compositor, da obra e do contexto da cidade de São Paulo, no intuito de enriquecer a audição da gravações e divulgar a trajetória dos artistas e da cidade sob um ponto de vista musical. <br />Aborda-se um pouco da história do violão brasileiro e das valsas, mazurcas, gavotas e choros cultivados no país. <br />Flavia Prando</p> - How often does this podcast release new episodes?
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