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Novos Cientistas - USP

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by Jornal da USP

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Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

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June 18, 2026

Programa governamental em educação precarizou o ensino no estado de São Paulo

Em 2019, na gestão do então governador João Dória Júnior, foi lançado o programa Inova Educação. “Foi o instrumento usado pelo governo paulista para introduzir o Novo Ensino Médio na maior rede pública do País. E sem a participação de cientistas ou universidades, trocando disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo”, explicou o pedagogo Felipe Alencar, entrevistado desta quinta-feira (18) do podcast Os Novos Cientistas. O pesquisador é autor do estudo de mestrado Escola pública entre ditames e resistências: Inova Educação na rede estadual paulista. A pesquisa teve a orientação da professora Carmen Silvia Vidigal “Minha pesquisa denuncia a precarização da juventude trabalhadora e o esvaziamento de matérias como ciências e literatura, para moldar os alunos ao mercado informal”, revelou. O estudo, que durou 27 meses, foi transformado no livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital. Felipe contou que, naquele segundo semestre de 2019, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo promoveu o evento Movimento Inova, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape), com a presença do então governador João Doria e de dezenas de palestrantes do setor privado. “Entre eles, representantes do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Lemann, da Fundação Telefônica Vivo, da Fundação Vanzolini e da Microsoft”, lembra Alencar. O programa inseriu as disciplinas Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas no currículo. “Algumas dessas eletivas tinham conteúdo patrocinado pela empresa iFood, amplamente denunciada pelas condições impostas a seus entregadores, que já eram, em grande parte, os próprios alunos da rede estadual”, como relatou Alencar. “O secretário de Educação à época, Rossieli Soares da Silva, dizia que o ensino médio não tinha que preparar o estudante para o vestibular. ‘Ele tem que realizar o sonho do aluno, que é entrar no mercado de trabalho’, afirmava”, completou o pesquisador. Disponível também na plataforma Spotify

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June 4, 2026

Hip-Hop se mostra eficiente na implantação de uma educação emancipadora

Na edição desta quinta-feira (4) de Os Novos Cientistas, o bate-papo foi com a educadora Cristiane Correia Dias, também conhecida como Bgirl Cris. Ela é autora da tese de doutorado Pedagogias Hip-hop e a pluriversalidade das vozes periféricas: caminhos e sonhos sob a perspectiva interseccional para uma educação emancipadora, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sob a orientação da professora Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, da Faculdade de Educação. Como contou a pesquisadora ao jornalista Antonio Carlos Quinto, entre os principais objetivos da pesquisa, esteve o de elucidar o caráter transdisciplinar do estudo. “Priorizamos a valorização da diversidade étnico-racial”, disse Cristiane. E a ideia também, segundo ela, foi contribuir para a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que instituiu a obrigatoriedade das temáticas História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, respectivamente. “Recorri a um mosaico teórico-metodológico, partindo de nossa metodologia central que é a pesquisa em ação por meio da docência compartilhada, entrelaçada às pedagogias Hip-hop”, destacou. Para o estudo, Cristiane selecionou uma escola na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. “É justamente um lugar que tem uma potência cultural muito grande”, contou a pesquisadora, lembrando que lá, o rap se faz presente desde as décadas de 1980 e 1990. “Era um local com altos índices de violência. O hip-hop ali já tem um papel educador dentro da comunidade”, contou. A tese de Cristiane acaba de ser lançada em livro. Intitulada Hip-Hop: pedagogia e as vozes periféricas, a obra teve seu lançamento pela Giostri Editora, em cerimônia realizada no último dia 30 de maio, na estação São Bento do Metrô, no centro de São Paulo. Disponível também na plataforma Spotify

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May 21, 2026

Na Amazônia, estudo identifica diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade

Na entrevista desta quinta-feira (21), no podcast Os Novos Cientistas, o geógrafo Felipe Passos falou sobre o estudo de doutorado Educação na Amazônia: estrutura territorial da oferta e esforço espacial das famílias. Neste trabalho defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador contou com a orientação do professor Eduardo Donizeti Girotto. Entre os resultados de seu estudo, Felipe identificou, por exemplo, que há diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade. Para produzir a pesquisa, o geógrafo realizou entrevistas na Ilha do Marajó, no Pará. “Existe o que denominamos ‘hierarquização espacial’ na qualidade do ensino médio naquela região”, contou o pesquisador. Essa hierarquização, segundo ele, é a maneira de tratar espacialmente as desigualdades, como a existência ou não da própria escola. “Essa desigualdade, é produzida a partir de diversos elementos e fatores que compõem a oferta de educação. São fatores que vão desde da própria existência ou não de escola em determinado lugar, a formação dos professores que lecionam nesses espaços, a infraestrutura dessas escolas, se atendem a demanda local e assim por diante”, descreveu o geógrafo. “E quando não existe a escola no campo, muitas famílias são obrigadas a fazer o que eu chamo de esforço espacial. É quando os familiares se esforçam espacialmente para levar esse aluno para uma oferta melhor”, descreveu. Para realizar sua pesquisa, Felipe analisou dados de matrículas para entender as trajetórias de alunos entre campo e cidade. Além disso, foram cerca de 20 entrevistas em campo. “Entrevistei diretores de escola, coordenadores, professores, responsáveis por estudantes e egressos também de diversos programas do ensino médio aqui na Amazônia Paraense”, descreveu, destacando que “essas entrevistas foram realizadas em dois trabalhos de campo: quando eu fui para um município e quando estive numa Vila Ribeirinha.” Felipe lembrou que para chegar ao local foram cerca de 2 horas e meia de barco a partir de Belém, no Pará.     Disponível também na plataforma Spotify

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