Diário poético

Prosas e Poesias Proletarias
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April 16, 2021
Se, ou quando, a tristeza chegar...
<p>Se, ou quando, a tristeza chegar...</p> <p><br></p> <p>Se, ou quando, a tristeza chegar... Quando tudo parecer perdido, não se perca na aparência, recorra a história, camarada...</p> <p>Lembre-se, nós nunca fomos numericamente maioria, a massa de trabalhadores (salvo nos processos de luta revolucionária) sempre foi o que hoje é, um senso comum conservador, buscando saída individual da miséria humana coletiva... também lembre-se que mesmo no inicio das revoluções, nós não éramos maioria numérica, até que, no curso da própria revolução, as massas trabalhadoras em luta (e só por estarem em luta), amadurem-se, se radicalizam e aderem a nossas propostas e compreendem, finalmente, nossas perspectivas revolucionárias, sempre fomos "poucos", sempre fomos perseguidos, mapeados, vigiados e duramente combatidos, hoje os trabalhadores não nos escutam, mas nunca escutaram nossa perspectiva, salvo no próprio processo de insurreição... Sim camarada, hoje é muito difícil, mas olhe a história, veja, nunca foi mais fácil.<br> <br> Lembre-se... Tudo é diferente, tudo é novo, mas, nada mudou... As revoluções são sempre impossíveis, até o momento em que se tornam inevitáveis!!!</p> <p>Viva a nossa, recém realizada, Comuna de Paris, que agora completa 150 anos... Viva a nossas mulheres e homens que iluminaram primeiro, o caminho a ser seguido por todos os trabalhadores do mundo, aqueles que deram a vida para iniciar o parto do novo mundo!!!</p> <p>Je suis Comunard!!!</p> <p>Viva nossas revoluções derrotadas e vitoriosas, passadas e futuras. </p> <p>A nossas lutas gloriosas e inglórias, pois são partes constitutivas de nossa futura vitória.</p> <p>Se muito vale o já feito, mas vale o que será, e o que foi feito é preciso conhecer, para melhor prosseguir, afinal, aos olhos da história... Nós apenas começamos, camarada!</p>

April 16, 2021
Tática e estratégia - Mario Benedetti
<p>Mi táctica es mirarte<br> aprender como sos<br> quererte como sos</p> <p>mi táctica es<br> hablarte</p> <p>y escucharte<br> construir con palabras<br> un puente indestructible</p> <p>mi táctica es<br> quedarme en tu recuerdo<br> no sé cómo ni sé<br> con qué pretexto<br> pero quedarme en vos</p> <p>mi táctica es<br> ser franco<br> y saber que sos franca<br> y que no nos vendamos<br> simulacros<br> <br> para que entre los dos<br> no haya telón<br> ni abismos</p> <p>mi estrategia es<br> en cambio<br> más profunda y más<br> simple<br> mi estrategia es<br> que un día cualquiera<br> no sé cómo ni sé<br> con qué pretexto<br> por fin me necesites.<br> <br> Tática e estratégia<br> <br> Minha tática é<br> olhar-te<br> aprender como tu és<br> querer-te como tu és<br> <br> minha tática é<br> falar-te<br> e escutar-te<br> construir com palavras<br> uma ponte indestrutível<br> <br> minha tática é<br> ficar em tua lembrança<br> não sei como nem sei<br> com que pretexto<br> porém ficar em ti<br> <br> minha tática é<br> ser franco<br> e saber que tu és franca<br> e que não nos vendemos<br> simulados<br> para que entre os dois<br> <br> não haja cortinas<br> nem abismos<br> <br> minha estratégia é<br> em outras palavras<br> mais profunda e mais<br> simples<br> minha estratégia é<br> que um dia qualquer<br> não sei como nem sei<br> com que pretexto<br> por fim me necessites.<br> <br> (Tática e estratégia - Mario Benedetti)<br> <br> Ame muito, ame mais intensamente <br> E de diversas maneiras<br> Amar hoje é uma forma de resistência<br> Arma, forma de luta e <br> Um manual de sobrevivência<br> <br> Poema enviado pela camarada Vera<br> <br> Vera, Verinha, <br> Vera verás,<br> Nosso tempo <br> Há de chegar<br> E o teu, o nosso<br> Povo do Rio<br> De Janeiro,<br> Fevereiro, Março,<br> Abril e que só em Maio <br> Recorda-se de nós<br> E nossas lutas<br> Recuperar sua energia<br> Sua força bruta<br> Colocando a baixo<br> A burguesia, <br> Milícia e<br> Outros tantos <br> filhos da puta</p>

April 8, 2021
Os fantasmas de Paris - Mauro Iasi
<p>“Os mártires [da Comuna] estão guardados<br> como relíquias no grande coração da classe operária”– Karl Marx [<a href="https://www2.boitempoeditorial.com.br/produto/a-guerra-civil-na-franca-23" rel="noreferrer noopener" target="_blank">A guerra civil na França</a>]</p> <p>– Quem é o chefe aqui?</p> <p>– Não tem chefe, somos uma Comuna.</p> <p>– Não sei o que é isso, mas preciso falar com alguém para que me explique essa algazarra.</p> <p>Eles se amontoavam ao lado da parede do Père-Lachaise e não paravam de chegar. Eram muito diferentes dos mortos comuns que chegavam todos os dias. Falavam muito, riam e se abraçavam. Faziam discursos acalorados, discordavam uns dos outros, por vezes descambando para a força física, mesmo agora sem o físico, na imaterialidade etérea de seus espíritos.</p> <p>– Fiquem calmos… mantenham-se em fila… pelo amor de deus, largue essa arma…</p> <p>– Você está ao lado de Versalhes, canalha, capacho de Thiers!</p> <p>– Quem? Não, não… represento o Reino de Deus…</p> <p>– Capacho de Napoleão III…</p> <p>Paris ardia em chamas, os cadáveres lotavam os campos e jardins, transformados em uma enorme sopa de lama e corpos em decomposição. O cheiro era insuportável. Um jornal conservador proclamava: “estes miseráveis que nos fizeram tanto mal em vida não podem continuar a fazê-lo depois da morte”.<br> <br> Os mortos reagiam como podiam. Cheiravam, apodreciam, permaneciam incômodos como testemunhas do massacre. Mostravam seus crânios amassados pelas coronhadas, os tiros na nuca, os membros decepados. Mulheres tombadas ao lado de seus baldes de petróleo ou simplesmente por trazer um lenço vermelho preso ao braço ou ao pescoço.<br> <br> Ao lado do muro do cemitério forma-se um enorme comício de almas desgarradas de seus corpos. O anjo, bastante assustado voltou com alguém que parecia ser seu superior, o guardião do portão, que com uma voz poderosa dirigiu-se a turba:<br> <br> – O negócio é o seguinte. Vocês estão mortos, precisam ficar calmos para a próxima etapa. Sigam a luz e…<br> <br> – Não.<br> <br> – Como não?<br> <br> – Decidimos em assembleia que vamos ficar aqui.<br> <br> – Veja, não cabe a vocês decidirem…<br> <br> – É o que sempre nos disseram, mas…<br> <br> – As coisas do mundo ficaram para trás meu irmão, seus corpos se foram, tem que pensar em suas almas.</p> <p>– Pois é, mas estávamos nessa de corpo e alma seu padre.<br> <br> – Eu não sou padre.<br> <br> – Cansamos de chefes, prefeitos, generais e esta gente que faz guerra para que os pobres morram. Você entende, eminência?<br> – Eu não sou…</p> <p><br> – Certo, certo. Pessoal, o barba aqui quer falar com a gente, vamos ouvi-lo.</p> <p><br> – Sou contra! Este cara veio com aquele guarda de Versalhes…</p> <p>– Não sou guarda… eu…</p> <p><br> – Certo, certo. A gente escuta ele e depois vota.</p> <p><br> – Obrigado irmão. Eu entendo a revolta de vocês, mais ou menos, vem de um mundo de injustiças e violência, de privações da carne e desesperança. A morte é a passagem para uma outra dimensão…</p> <p><br> – Que dimensão, o que tem lá?</p> <p><br> – Ele disse que é um reino…<br> – Reino… monarquia?</p> <p><br> – Capacho de Bismark!</p> <p><br> – Não… não… essas são coisas do mundo dos homens…</p> <p><br> – Por que? Nós mulheres não podemos entender de política. Sei muito bem a diferença entre Monarquia e República, meu senhor…</p> <p><br> – Não, não… falei “homens” no sentido geral do termo…</p> <p><br> – Vou te dar um tiro… bem no sentido geral do termo…</p> <p><br> – Calma gente, deixa o barba concluir. Fala barba, você dizia de outra dimensão que é diferente desta merda de mundo. Como é lá?</p> <p><br> – Como é lá? Veja bem… não sei… você tem que acreditar sem ver… a fé…</p> <p><br> – É tramoia, o cara é padre…</p> <p><br> – Eu não sou padre…</p> <p><br> – O cara é protestante… tá do lado dos prussianos…<br> <br> (Mauro Iasi) Texto integral no blog da Boitempo.</p>
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