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Estado da Arte

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by Estado da Arte

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Três especialistas apresentam e discutem temas de importância atemporal das humanidades, das artes e das ciências, expondo o melhor e mais atual estágio de conhecimento sobre cada assunto.

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🇵🇹

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12/13/2017

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April 9, 2026

As Viagens de Marco Polo

<div style="margin-top:-20px"> <div class="oucaPod" style="padding-top:0px;padding-right:5px;">Ouça o podcast:</div> <div style="display:flex; flex-direction: row; flex-wrap: nowrap; align-items: center"> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://open.spotify.com/show/45is5kWpM4mObYFm6hkKg2?si=O_2DkMSQSj64CxtJhhP8Rg&nd=1&dlsi=e720e88aa7b941a3" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-spotify.png" alt="Spotify"></a></div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://open.spotify.com/show/45is5kWpM4mObYFm6hkKg2?si=O_2DkMSQSj64CxtJhhP8Rg&nd=1&dlsi=e720e88aa7b941a3" target="_blank" class="oucaPodText">Spotify</a> |</div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://www.deezer.com/br/show/2512452" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-deezer.png" alt="Deezer"></a></div><div style="padding-top:5px;padding-right:5px;" class="oucaPodText"><a href="https://www.deezer.com/br/show/2512452" target="_blank" class="oucaPodText">Deezer</a> |</div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/estado-da-arte/id1748919455" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-aplle.png" alt="Apple"></a></div><div style="padding-top:5px;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/estado-da-arte/id1748919455" target="_blank" class="oucaPodText">Apple Podcasts</a></div> </div> </div> <p>&nbsp;No final do século XIII, num mundo que ainda não tinha contornos definidos e onde mapas misturavam cidades reais com monstros marinhos, num tempo em que a sombra – e o sangue – das Cruzadas se estendiam sobre a Europa e os sonhos da cavalaria a inspiravam, um adolescente partiu com seu pai e seu tio de uma república mercantil a quem o Adriático sussurrava segredos distantes; atravessou desertos implacáveis, montanhas que roçavam os céus e rios que serpenteavam como veias de civilizações esquecidas; atingiu o coração do maior império terrestre de todos os tempos; tornou-se um emissário privilegiado da corte de Kublai Khan; e percorreu sua vasta teia de conquistas, enfrentando bandidos nômades, tempestades que engoliam caravanas, mares governados por monções, e povos cujas línguas ecoavam como enigmas ancestrais.</p> <figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"> <figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="859" data-id="76023" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Marco_Polo_Integra-1024x859.jpg" alt="" class="wp-image-76023" srcset="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Marco_Polo_Integra-1024x859.jpg 1024w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Marco_Polo_Integra-600x503.jpg 600w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Marco_Polo_Integra-768x644.jpg 768w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Marco_Polo_Integra-1536x1288.jpg 1536w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Marco_Polo_Integra.jpg 1900w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure> </figure> <p>Mais do que uma aventura individual, a odisseia de Marco Polo foi um acontecimento civilizacional. Pela primeira vez, um europeu percorreu com continuidade e atenção um mundo asiático vasto, organizado, sofisticado – e regressou, 24 anos depois, para descrevê-lo. Não como alegoria teológica, nem como fábula moral, mas como um inventário de lugares, povos, riquezas, técnicas, rotas e costumes. Um olhar moldado tanto pela curiosidade quanto pelo cálculo; tanto pelo assombro quanto pela utilidade.</p> <p>O&nbsp;Livro das Maravilhas do Mundo&nbsp;é o mais célebre relato de viagens já escrito. Ditado a um romancista numa prisão genovesa, nele se mesclam o fabuloso e o factual, a imaginação e a contabilidade. Cidades de ouro convivem com sistemas de correio imperial; relatos de palácios flutuantes em lagos artificiais com descrições minuciosas de moedas, pesos e mercadorias; histórias de rinocerontes tomados por unicórnios e especiarias que incendiavam os sentidos, com observações frias sobre impostos, canais, papel-moeda e pólvora. É um texto onde o maravilhoso medieval não desapareceu, mas começa a ser disciplinado pelo olhar moderno que mede, compara e registra.</p> <p>O seu Oriente não é apenas exótico; é administrado, conectado, produtivo. O seu Ocidente não é apenas curioso; é mercantil, inquieto, pronto a expandir seus horizontes. Entre ambos, abre-se uma zona de contato onde a Idade Média vislumbra, sem saber, a aurora do mundo moderno. Marco Polo inaugurou a era das grandes descobertas, inspirando Colombo a velejar para o desconhecido, Vasco da Gama a desbravar continentes e Fernão de Magalhães a contornar o planeta. Por séculos ele moldou – e ainda molda – a maneira como o Ocidente sonhou o Oriente – e, em alguma medida, a si mesmo.</p> <h2 class="wp-block-heading">Convidados</h2> <p><br><strong>Andrea Carla Dore</strong>: professora de história moderna da Universidade Federal do Paraná.&nbsp;</p> <p><strong>Flavia Galli Tatsch</strong>: professora de história da arte medieval da Universidade Federal de São Paulo.&nbsp;e</p> <p><strong>Luiz Estevam de Oliveira Fernandes</strong>: professor de história atlântica da Universidade Estadual de Campinas.</p> <p class="has-text-align-right"><strong>Ilustração:</strong> Marco Polo parte de Veneza. Iluminura para um manuscrito do séc. XV de &#8220;Il Milione&#8221; (domínio público)</p> <p></p> <p>O post <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/o-canone-em-pauta/as-viagens-de-marco-polo/">As Viagens de Marco Polo</a> apareceu primeiro em <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br">Estado da Arte</a>.</p>

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February 27, 2026

A Guerra Civil Americana

<div style="margin-top:-20px"> <div class="oucaPod" style="padding-top:0px;padding-right:5px;">Ouça o podcast:</div> <div style="display:flex; flex-direction: row; flex-wrap: nowrap; align-items: center"> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://open.spotify.com/show/45is5kWpM4mObYFm6hkKg2?si=O_2DkMSQSj64CxtJhhP8Rg&nd=1&dlsi=e720e88aa7b941a3" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-spotify.png" alt="Spotify"></a></div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://open.spotify.com/show/45is5kWpM4mObYFm6hkKg2?si=O_2DkMSQSj64CxtJhhP8Rg&nd=1&dlsi=e720e88aa7b941a3" target="_blank" class="oucaPodText">Spotify</a> |</div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://www.deezer.com/br/show/2512452" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-deezer.png" alt="Deezer"></a></div><div style="padding-top:5px;padding-right:5px;" class="oucaPodText"><a href="https://www.deezer.com/br/show/2512452" target="_blank" class="oucaPodText">Deezer</a> |</div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/estado-da-arte/id1748919455" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-aplle.png" alt="Apple"></a></div><div style="padding-top:5px;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/estado-da-arte/id1748919455" target="_blank" class="oucaPodText">Apple Podcasts</a></div> </div> </div> <p>Há guerras que se travam por territórios nacionais, e há guerras que se travam pela alma de uma nação. A guerra civil americana foi ambas – e mais: foi a morte e ressurreição de um povo julgado no tribunal da própria consciência.</p> <p>Em meados do século XIX, os Estados Unidos viviam uma contradição intolerável: proclamavam-se pátria da liberdade e igualdade, mas, no Sul, latifúndios tecidos em algodão e abastecidos por sangue erguiam pórticos brancos sobre lombos negros; no Norte, forjado em ferro e vapor, a fé no trabalho livre fundia-se ao fundamentalismo puritano. No choque entre essas civilizações, as palavras começaram a ferir mais que armas: púlpitos tornaram-se trincheiras, romances e hinos viraram bombas de efeito moral, e a própria Bíblia foi dilacerada entre os que a liam para justificar a escravidão e os que a liam para massacrar escravizadores.</p> <figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-75794" style="width:686px;height:auto" srcset="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao-1024x1024.jpg 1024w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao-600x600.jpg 600w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao-300x300.jpg 300w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao-768x768.jpg 768w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao-1536x1536.jpg 1536w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Bandeiras_Uniao_Confederacao.jpg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure> <p>Quando Abraham Lincoln, um abolicionista de origens humildes e convicções de aço, triunfou no combate eleitoral, as fronteiras viraram abismos. O que se seguiu foi não só um conflito militar, mas uma espécie de juízo final – uma travessia pelo inferno da modernidade. Ferrovias, telégrafos, encouraçados, nitroglicerina e proto-metralhadoras transformaram os campos de batalha em máquinas de aniquilação, antecipando a guerra total do século XX. Nenhuma guerra sacrificou mais americanos que a guerra a dos americanos contra si mesmos. Sobre milhares de cadáveres nas valas comuns de Gettysburg, o conflito encontrou sua esperança, nas palavras que Lincoln gravou na eternidade: a nação concebida na convicção de que todos nascem iguais sob Deus deveria viver o parto sangrento da liberdade, para que o governo do povo, pelo povo, para o povo jamais pereça sobre a terra.</p> <p>Mas a vitória da União não trouxe paz – apenas outro tipo de guerra. Lincoln tombou sob a bala de um extremista, e seu sonho de uma reconstrução magnânima, “com malícia para ninguém, com caridade para todos”, foi muitas vezes virado às avessas. Entre os vencedores, as promessas de união se mesclaram à libido da vingança. Os vencidos retaliaram com códigos que restituíam a servidão e com o terror noturno das milícias brancas.</p> <p>A guerra terminou nos mapas, mas continuou na alma americana. Quando o sangue secou, começou a batalha pela memória. O Norte celebrou precocemente – e às vezes hipocritamente – a redenção; o Sul se evadiu na fábula da “Causa Perdida”, mas nobre, onde a derrota virou honra, o regime escravocrata, um idílio cavalheiresco, e o vento levou as promessas de cidadania negra. A segregação durou mais 100 anos, até o movimento dos direitos civis, ao preço de vidas como a de Martin Luther King. Entre o mito e a culpa, o trauma e o ressentimento, os Estados Unidos seguiram marchando – às vezes aos tropeços, às vezes em círculos – tentando reconciliar-se consigo mesmos. E, ainda hoje, sob monumentos de bronze, tensões raciais e guerras culturais, ecoa o alerta de Lincoln: pode uma casa dividida permanecer de pé?</p> <h2 class="wp-block-heading">Convidados</h2> <p><strong>Leandro Gonçalves:&nbsp;</strong>professor de história militar do Instituto Federal de São Paulo e autor da tese&nbsp;A Revolução em Assuntos Militares no Contexto da Guerra de Secessão.</p> <p><strong>Marcos Sorrilha:&nbsp;</strong>professor de história da América da Universidade Estadual Paulista e produtor do Canal do Sorrilha sobre a história dos Estados Unidos.</p> <p><strong>Vitor Izecksohn</strong>: professor de história da América da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor de&nbsp;Duas Guerras nas Américas.</p> <h2 class="wp-block-heading">Referências</h2> <ul class="wp-block-list"> <li>Brado de Guerra da Liberdade: A Guerra Civil dos Estados Unidos (Battle Cry of Freedom: The Civil War Era) e For Cause and Comrades: Why Men Fought in the Civil War, de James M. McPherson.</li> <li>Nada Além da Liberdade (Nothing but Freedom – Emancipation and Its Legacy), The Story of American Freedom e The Second Founding: How the Civil War and Reconstruction Remade the Constitution, de Eric Foner. </li> <li>Duas Guerras na América: Raça, Cidadania e Construção do Estado nos Estados Unidos e Brasil (1861-1870), e <a href="https://www.scielo.br/j/topoi/a/RvpQxRsnyqPypc8d66GjtTJ/?lang=pt&amp;format=pdf">“Escravidão, federalismo e democracia: a luta pelo controle do Estado nacional norte-americano antes da Secessão”</a> (revista <i>Topó</i>i), de Vitor Izecksohn.</li> <li>A revolução em assuntos militares no contexto da Guerra de Secessão Americana (1861-1865), de Leandro J.C. Gonçalves. </li> <li>“Guerra de Secessão”, de André Martin, em História das Guerras, org. Demétrio Magnoli.</li> <li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HevpGOnQhU0">“Guerra Civil nos EUA: os antecedentes do conflito que formou a nação”</a> e “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=iCXun0P3JZo&amp;t=3911s">Estados Unidos após a Guerra Civil</a>” no podcast Hora Americana.</li> <li><a href="https://open.spotify.com/episode/12i77qreIcWORKrJ6Cc454?si=03435360f2774f51">A Guerra de Secessão: a guerra civil que dividiu os EUA</a>, episódio do Podcast História FM.</li> <li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AbGNjwb15qs">The American Civil War</a>, documentário de Ken Burns produzido pela PBS.</li> <li><a href="https://open.spotify.com/playlist/17EZLHgzTm7qjkc7IE9j0K">“American Civil War”</a>, série em quatro episódios para o podcast The Rest is History.</li> <li>A History of the American People, de Paul Johnson.</li> <li>The Unfinished Nation: A Concise History of the American People, de Alan Brinkley.</li> <li>A People’s History of the United States, de Howard Zinn.</li> <li>What This Cruel War Was Over: Soldiers, Slavery, and the Civil War, de Chandra Manning<strong>.</strong></li> <li>Race and Reunion: The Civil War in American Memory, de David W. Blight<strong>.</strong></li> <li>This Republic of Suffering: Death and the American Civil War, de Drew Gilpin Faust<strong>.</strong></li> <li><a href="applewebdata://BE4007F6-2257-4258-9CF9-36B1B063B099/%E2%80%A2https:/www.youtube.com/watch?v=Mz_PkGV8W6E">Reconstruction: America After the Civil War</a>, documentário de Henry Louis Gates Jr. Produzido pela PBS.</li> <li><a href="https://open.spotify.com/show/4hDeN68YSop25YryN9qCW9">The Civil War (1861–1865)</a><a href="https://open.spotify.com/show/4hDeN68YSop25YryN9qCW9">,</a> canal de podcast com diversos episódios de Rich &amp; Tracy Youngdahl.</li> </ul> <p class="has-text-align-right"><strong>Ilustração</strong>: bandeiras da União e da Confederação geradas por IA.</p> <p></p> <p>O post <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/historia/a-guerra-civil-americana/">A Guerra Civil Americana</a> apareceu primeiro em <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br">Estado da Arte</a>.</p>

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January 28, 2026

Dom Quixote

<div style="margin-top:-20px"> <div class="oucaPod" style="padding-top:0px;padding-right:5px;">Ouça o podcast:</div> <div style="display:flex; flex-direction: row; flex-wrap: nowrap; align-items: center"> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://open.spotify.com/show/45is5kWpM4mObYFm6hkKg2?si=O_2DkMSQSj64CxtJhhP8Rg&nd=1&dlsi=e720e88aa7b941a3" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-spotify.png" alt="Spotify"></a></div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://open.spotify.com/show/45is5kWpM4mObYFm6hkKg2?si=O_2DkMSQSj64CxtJhhP8Rg&nd=1&dlsi=e720e88aa7b941a3" target="_blank" class="oucaPodText">Spotify</a> |</div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;padding-right:5px;"><a href="https://www.deezer.com/br/show/2512452" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-deezer.png" alt="Deezer"></a></div><div style="padding-top:5px;padding-right:5px;" class="oucaPodText"><a href="https://www.deezer.com/br/show/2512452" target="_blank" class="oucaPodText">Deezer</a> |</div> <div class="oucaPodText" style="padding-top:5px;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/estado-da-arte/id1748919455" target="_blank"><img decoding="async" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2024/09/icone-aplle.png" alt="Apple"></a></div><div style="padding-top:5px;"><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/estado-da-arte/id1748919455" target="_blank" class="oucaPodText">Apple Podcasts</a></div> </div> </div> <p>Existem livros que são como cidades antigas: habitados por gerações, percorridos por caminhos óbvios e veredas secretas. E há os que são como caravelas em oceanos desconhecidos, onde cada leitor é simultaneamente navegante e vento, rasgando rotas que não deixam vestígios.&nbsp;Dom Quixote&nbsp;é as duas coisas. Uma história clara e fresca – acessível até às crianças – e, ao mesmo tempo, inesgotável como as grandes criações humanas. Paradoxalmente, a força de sua mensagem nasce da leveza de sua execução. Nela, se agitam forças contraditórias: a sátira e o lirismo; o impulso de desconstrução e o desejo de transcendência; o sublime e o ridículo.&nbsp;</p> <figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"> <figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="75678" src="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-75678" srcset="https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote-1024x1024.png 1024w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote-600x600.png 600w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote-300x300.png 300w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote-768x768.png 768w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote-1536x1536.png 1536w, https://estadodaarte.estadao.com.br/wp-content/uploads/2026/01/dom-quixote.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure> </figure> <p>Nascido de uma vida temperada por batalhas, cativeiro, sonhos de grandeza e frustrações ainda maiores, o livro absorveu a irreverência das novelas picarescas, a observação psicológica da filosofia humanista e a crítica social do teatro para sintetizar a alma do Século de Ouro espanhol, suspensa entre a glória imperial e a melancolia da decadência, entre o canto de cisne do cavalheirismo medieval e o alvorecer da civilização burguesa.</p> <p>Mas mais do que retrato de seu tempo, Cervantes forjou um espelho da condição humana. Dom Quixote e Sancho Pança não encarnam apenas opostos, mas se complementam numa totalidade simbólica – um, a encarnação do idealismo que se choca com o real; o outro, a do realismo que humaniza o ideal. Sua jornada é uma peregrinação às raízes da existência, o diálogo interminável da alma consigo mesma: a poesia do sonho e a prosa da realidade; a ânsia do absoluto e o peso do corpo; o céu estrelado e a estrada poeirenta.</p> <p>Cervantes ri da fantasia sem zombar da esperança; critica a vida, mas abraça sua dignidade, mostrando que, quando há paixão moral, mesmo o delírio pode esconder verdades profundas, e, quando não há, a lucidez pode ser a maior das cegueiras. O riso que desmonta ilusões, é o mesmo que nos liberta para amarmos o mundo.&nbsp;&nbsp;</p> <p>Não é à toa que esta é a ficção mais popular de todos os tempos e o quarto livro mais vendido do planeta, atrás apenas de obras confessionais – a&nbsp;Bíblia, o&nbsp;Corão, o&nbsp;Livro Vermelho&nbsp;de Mao Tsé-Tung. Não há uma única vida que se queira humana sem trazer em si algo de uma aventura quixotesca; um só coração que não se recuse a reduzir a vida apenas ao que é visível. Com seu Cavaleiro da Triste Figura, Cervantes deu carne ao arquétipo universal do homem que luta pelo impossível, e cravou no coração da humanidade uma interrogação que jamais será calada – o que é mais louco: sonhar um mundo melhor ou se conformar ao mundo como ele é?&nbsp;&nbsp;</p> <h2 class="wp-block-heading">Convidados</h2> <p><strong>Erivelto Carvalho</strong>: Professor de Literatura Espanhola da Universidade de Brasília e co-autor de&nbsp;Os Ibéricos: História, Liberdade e Literatura.&nbsp;</p> <p><strong>José Luis Martinez Amaro</strong>: Professor de Literatura Espanhola da Universidade de Brasília e coordenador do grupo de pesquisa “Retórica e historiografia na literatura hispânica”.</p> <p><strong>Maria Augusta da Costa Vieira</strong>: Professora de Literatura Espanhola da Universidade de São Paulo e autora de&nbsp;Dom Quixote: A Letra e os Caminhos.&nbsp;</p> <h2 class="wp-block-heading">Referências</h2> <ul class="wp-block-list"> <li>Dom Quixote: A Letra e os Caminhos;&nbsp;Cervantes Plural; e&nbsp;A narrativa Engenhosa de Miguel de Cervantes: Estudos Cervantinos e Recepção do Quixote no Brasil,&nbsp;de Maria Augusta da Costa Vieira.&nbsp;&nbsp;</li> <li>Vida de Dom Quixote e Sancho&nbsp;(Vida de Don Quijote y Sancho), de Miguel de Unamuno.</li> <li>“Miguel de Cervantes” em&nbsp;O Cânone Ocidental&nbsp;(The Western Canon), de Harold Bloom.&nbsp;</li> <li>Lições sobre Dom Quixote (Lectures on Don Quixote), de Vladimir Nabokov.</li> <li>“Dulcineia Encantada”, em&nbsp;Mimesis&nbsp;de Erich Auerbach.&nbsp;</li> <li>Cervantes em “Antibarroco”, Capítulo VI, do Volume II da&nbsp;História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux.&nbsp;</li> <li>El Pensamiento de Cervantes, de Américo Castro.&nbsp;</li> <li>Don Quichotte, de Paul Hazard.</li> <li>Cervantes o la crítica de la lectura, de Carlos Fuentes.&nbsp;</li> <li>The Man Who Invented Fiction: How Cervantes Ushered in the Modern World, de William Egginton.</li> <li>Aproximación al Quijote, de Martín de Riquer.&nbsp;</li> <li>Cervantes’ Don Quixote: A Casebook, ed. por Roberto González Echevarría.&nbsp;</li> <li>Cervantes y su época, de R. León Máinez.</li> <li>Miguel de Cervantes Saavedra, de J. Fitzmaurice-Kelly.&nbsp;</li> <li>Cervantes y su obra, de A. Bonilla y San Martín.</li> <li>Don Quijote als Wortkunstwerk, de H. Hatzfeld.</li> <li>Sobre la génesis del Don Quijote, de J. Millé Jiménez.</li> <li>La invención del Don Quijote&nbsp;em de M. Azaña.</li> <li>Cervantes, de R. Rojas.</li> <li>Cervantes, de A.F.G. Bell.</li> <li>Sentido y forma del Don Quijote, de J. Casalduero.</li> <li>Intención y silencio en el Quijote, de R. Aguilera.</li> <li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fBBr257F_6o">“Dom Quixote”</a>. Episódio do programa&nbsp;Literatura Universal&nbsp;com Maria Augusta da Costa Vieira.&nbsp;</li> <li><a href="https://www.bbc.co.uk/programmes/p003hydl">“Don Quixote”</a>, episódio do programa&nbsp;In Our Time, da Radio BBC 4.&nbsp;</li> <li><a href="https://www.rtve.es/play/radio/colecciones/don-quijote-de-la-mancha-miguel-de-cervantes-audios-podcasts/1897/">Don Quijote y Cervantes em RNE</a>, coleção de produções radiofônicas da RNE espanhola.&nbsp;</li> <li><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-zO5F0I_vUY">“Cervantes y la leyenda de Don Quijote”</a>, documentário da RTVE.&nbsp;</li> <li>“<a href="https://www.radiofrance.fr/recherche?term=%22don+Quichotte">Un été avec Don Quichotte</a>” e&nbsp;<a href="https://www.radiofrance.fr/franceculture/podcasts/serie-miguel-de-cervantes">“Miguel de Cervantès”</a>, séries da Radio France.</li> <li><a href="https://oyc.yale.edu/spanish-and-portuguese/span-300">“Cervantes’ Don Quixote”</a>, curso de Roberto González Echevarría na plataforma Yale Open Courses.&nbsp;</li> <li><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLUTo9-5-PxiipgrPh-857N1WlQfUpwh0O">“Audios magistrales para entender el Quijote”</a>, série de podcasts de Jesús G. Maestro.&nbsp;</li> <li><a href="https://greatbooksofliterature.podbean.com/e/episode-5-don-quixote-by-miguel-de-cervantes/">“Don Quixote”.</a>&nbsp;Episódio do podcast&nbsp;The Great of Literature Books.</li> <li><a href="https://open.spotify.com/episode/2ADboZKlxVCW6Esi6DuUmy">“Don Quixote: The First Modern Novel”</a>, episódio do podcast&nbsp;The Pillars: Jersualem, Athens, and the Western Mind.</li> <li><a href="https://podcasts.apple.com/gb/podcast/the-man-behind-the-curtain-don-quixote-by/id1669485143?i=1000743053423">“The Man Behind the Curtain: ‘Don Quixote’ by Miguel de Cervantes”</a>.&nbsp;Episódio do podcast&nbsp;Close Readings.&nbsp;</li> </ul> <p class="has-text-align-right"><strong>Ilustração:</strong> Esboço de Pablo Picasso (1955. Fonte: Wikimedia Commons)</p> <p>O post <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/literatura/dom-quixote/">Dom Quixote</a> apareceu primeiro em <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br">Estado da Arte</a>.</p>

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